Apresentação

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domingo, 5 de setembro de 2010

Para aqueles que morrem chorando 2

Na cidade a caminhar
ninguém a te acompanhar
procurando sem encontrar
algo ou alguém familiar

A solidão bate forte
e, naquele instante quase vital,
fez-se prisioneira da morte
desta cidade tão visceral

O corpo inerte e febril
agoniza lentamente
sendo vitima de um descaso vil
no concreto a cabeça dormente

Uma lagrima úmida correu
sem despertar nenhuma atenção
não pôde lutar contra o breu
nem reanimar seu coração

Flores, aromas inebriantes
nas narinas que já não sentem.
Para a cidade, mais um passante
esquecido, apenas um indigente

A cidade não parou,
naquele momento, por ninguém
acho que nem mesmo notou
as mudas lágrimas de alguém.

domingo, 20 de junho de 2010

Amolação

26/04/2010

As vezes eu só queria que o tempo parasse
que o relógio não andasse
e os carros não corressem.

Queria que esse momento fosse eterno
que o calor não esfriasse
e que o gelo derretesse

Queria ficar perdida nesse instante
ignorando todo o restante
num lugar muito, muito distante

Distante daqui, de tudo
talvez outra galáxia, em outro mundo
um planeta sem horários e prazos

Sem emprego, sem escola
sem dinheiro, sem esmola
sem tudo que me amola.

As vezes eu só queria que o tempo parasse

Rotineira Rotina

24/04/2010

Todo dia a rotina me obriga a caminhar
passos largos sem parar, sem direção
sem atalho pra tomar
Quero estar com voce
mas as vezes tenho que entender
que e o tempo é curto pra nós
a rotina quer nos convencer
que os momentos que estamos a sós
valem mais que podemos prever.

Reflexão sobre a Solidão

21/04/2010

Ignorando todas as expectativas e recomendações
ficou só, pela primeira vez desde então
E acompanhado por um vácuo silencioso
esmiuçou lembranças e decepções
sorrisos e lagrimas que habitaram sua face

E a solidão não lhe pareceu mais tão assustadora
a necessidade de possuir, algo ou alguem
já não cabia em seus pensamentos
percebeu o quanto menosprezara esse vazio
por anos interminaveis, ignorara suas vantagens
acumulando uma coleção de desapontamentos

Sozinho, não sentia mais medo desse estado

O Fim

04/04/2010

O fim
nada se compara a tristeza do fim
o fim do nada
o fim de tudo
o fim do fim
simplesmente o fim
fim.

Metamorfose

30/03/2010

Sentiu como se nada tivesse sentido algum.
Os membros de seu corpo já não respondiam aos estimulos,
nem externos nem internos
E a pele era agora um corpo estranho, uma casca abrigando nada
um véu que cobre o vazio

Incapaz de se mover, passou a vegetar
E como vegetal, tambem sentia-se vazio
Um toco seco, sem flores ou folhas.
E sem a seiva, que vem a ser o sangue essencial da vida,
nem os vermes o habitavam.

Não possuindo mais uma vida, transformou-se em pedra
fria e sem sentimentos, isso soou familiar,
não sentia nada mais, nem mesmo a dor que tomara-lhe a vida.
Sentiu-se bem sendo um rochedo e, pela primeira vez,
soube como era ser solido, ao invés de vazio, oco.

Sendo uma rocha, sentiu a frieza alheia,
todos que passavam e ignoravam-lhe, ou atiravam-lhe seu lixo
(que já se acumulava em uma pequena pilha ao seu redor)
O aroma da solidão inebriava suas narinas
e como que nada mais pudesse lhe acontecer, foi pisoteado e transformou-se em pó.

Invenção do Tempo

21/03/2010

Quem inventou o tempo
Não sabia o que era rotina
Quem inventou o tempo
Não tinha pressa de nada
Não conhecia
a pressão do dia-a-dia
a escravidão imposta
pelo incansável tic-tac
tic-tac
nada o faz parar
nada o faz voltar
o tempo tão relativo
passa sem parar
sem sair do lugar
nem pílulas, nem analgesicos
nada liberta do incessante
tic-tac