Na cidade a caminhar
ninguém a te acompanhar
procurando sem encontrar
algo ou alguém familiar
A solidão bate forte
e, naquele instante quase vital,
fez-se prisioneira da morte
desta cidade tão visceral
O corpo inerte e febril
agoniza lentamente
sendo vitima de um descaso vil
no concreto a cabeça dormente
Uma lagrima úmida correu
sem despertar nenhuma atenção
não pôde lutar contra o breu
nem reanimar seu coração
Flores, aromas inebriantes
nas narinas que já não sentem.
Para a cidade, mais um passante
esquecido, apenas um indigente
A cidade não parou,
naquele momento, por ninguém
acho que nem mesmo notou
as mudas lágrimas de alguém.