Apresentação

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domingo, 20 de junho de 2010

Metamorfose

30/03/2010

Sentiu como se nada tivesse sentido algum.
Os membros de seu corpo já não respondiam aos estimulos,
nem externos nem internos
E a pele era agora um corpo estranho, uma casca abrigando nada
um véu que cobre o vazio

Incapaz de se mover, passou a vegetar
E como vegetal, tambem sentia-se vazio
Um toco seco, sem flores ou folhas.
E sem a seiva, que vem a ser o sangue essencial da vida,
nem os vermes o habitavam.

Não possuindo mais uma vida, transformou-se em pedra
fria e sem sentimentos, isso soou familiar,
não sentia nada mais, nem mesmo a dor que tomara-lhe a vida.
Sentiu-se bem sendo um rochedo e, pela primeira vez,
soube como era ser solido, ao invés de vazio, oco.

Sendo uma rocha, sentiu a frieza alheia,
todos que passavam e ignoravam-lhe, ou atiravam-lhe seu lixo
(que já se acumulava em uma pequena pilha ao seu redor)
O aroma da solidão inebriava suas narinas
e como que nada mais pudesse lhe acontecer, foi pisoteado e transformou-se em pó.

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